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LUNCH-in CONSISTE

Foto PalestranteLUNCH-in com Nivaldo Lariú

Tema: A sua história de vida e o Dicionário de Baianês

Resumo do evento

Somos produtos de um processo cultural histórico muito pouco conhecido. Não tenho dúvidas de que Jorge Amado foi o grande divulgador da Bahia, no entanto vi que no centenário de Jorge Amado onde a Bahia não fez absolutamente nada, isso me dá uma tristeza. Acho isso um negócio sem qualificação.

Nasci em Itaperuna, Rio de Janeiro. Na minha cidade só tem rio, conheci o mar aos 14 anos e já adolescente tive contato com o livro Capitães de Areia de Jorge Amado. O livro se trata de um bando de meninos de rua, liderado por Pedro Bala. Esse livro foi um choque cultural fantástico pra mim e utiliza expressões de baianês. Então aquele modo de falar ficou guardado. Na faculdade, frequentava show da Tropicália, gratuitos, tinha um amigo, na pensão em que morava, que tocava, 80% do tempo, Dorival Caymmi no violão. Lia crônicas deliciosas de Vinícius de Moraes, sobre a Bahia. Então, tudo isso foi um residual que ficou na minha cabeça.

Quando me formei, recebemos um anúncio recrutando engenheiros para trabalhar na Bahia. Eu disse, essa é minha chance de morar lá! Aí começaram as coisas... meu convívio com os baianos. Umas pessoas que moravam perto a mim, me chamaram assim: “rapaz, vamu pegar um baba”, depois de uns minutos: “rapaz rumbora pará aqui que eu tô boiado”, e eu bestificado com essas expressões... “Agora que acabou, bora comer água”.

Uma pergunta bastante recorrente é: como surgiu o do Dicionário de Baianês? Minha filha mais nova, uma tampa de binga, me perguntou: “Papai, porque os baianos falam errado”? Então eu expliquei que na Bahia, assim como em todo o Brasil, existem os sotaques regionais e as formas diferentes de falar a mesma coisa. Então anotei umas 10 palavras que só são faladas aqui e dei para ela. Percebi como essas palavras vieram de uma forma intuitiva, me toquei de como foi fácil escrevê-las, e isso acabou virando um vício, um hábito. Todas as palavras que eu conhecia ou tinha contato, anotava. E foi assim que o dicionário surgiu.

A partir daí eu sofri o que todo escritor iniciante passa pra viabilizar um livro, ouvi um monte de promessa e outro monte de não. Teve uma empresa particular que relatou que gostou muito, porém não iria publicar porque tinha muito palavrão. Amigos em comum me indicaram procurar por agências de publicidade.

Meu sonho, antes de mostrar pra qualquer pessoa, era ter o aval do professor Cid Teixeira. Passei a procurá-lo em eventos em comum até achar o cara. Conversamos, e eu apresentei o dicionário para ele. Ele pegou, folheou, me pegou pelo ombro e disse: "Venha aqui, achei muito interessante, me procure no meu escritório". E nessa época, o dicionário tinha cerca de 700 verbetes. Cid leu o Dicionário inteiro, criticou, elogiou, deu sugestões importantes e foi de uma generosidade grandiosa.

Finalmente consegui publicar, foram vendidos 1.500 exemplares, a priori. E, após 21 anos de lançado mais de 200 mil. Então saí às ruas para vender. Sabe esses caras, esses poetas amadores de barzinho, que vendem seus livrinhos de poesias, seus livretos? Pois é, compro todos sem ao menos saber do que se trata, porque já fiz muito isso, já passei por isso. Amigos também me ajudaram muito. Mas o que tornou o dicionário um sucesso foi uma atitude da editora de mandar um exemplar para as pessoas chaves da mídia da Bahia. Uma coisa bem bacana! E assim segue o Dicionário de Baianês que possui estudos em tese de doutorado, dissertação de mestrado e está presente em muitas escolas da Bahia.

Uma inquietação que eu tenho, e que até hoje para mim, é inexplicável, é o porquê de a Bahia ser assim? Porque somos assim? Porque só aqui encontramos o equilíbrio perfeito entre o trabalho e o lazer? Que o povo, muito maldosamente, atribui à preguiça. Acredito que o caminho para essa resposta, para essa receita de bolo, diz respeito a fantástica miscigenação que ocorreu neste Estado.

Somos um povo com tantos problemas econômicos, porém com um diferencial, uma alegria sem igual. Apesar de ser contra qualquer generalização, tem um trecho de música do compositor Capinan, que traduz bem o que é ser baiano. Diz assim: “oh minha gente baiana, goza mesmo que doa”. O baiano se difere em tantos âmbitos, na musica, na poesia... acho muito justo ter uma linguagem diferente também.

Hoje me encontro em um estado que causa inveja a muitos! Sou vagabundo, sou um vagabundo na Bahia! Melhor que isso só dois disso!

Por exemplo, a Bahia é o único lugar que garçom se mete na conversa dos outros. Tem uma história muito engraçada... estávamos todos numa mesa de bar, na chamada resenha do baba, em Pituaçu. E naquela conversa eloquente para chegarmos a conclusão sobre quem era a mais gostosa: Sheila Carvalho ou Carla Perez. Então vem um garçom de lá e diz: “Nãããão... não tá vendo que é Sheila, meu povo”.

Meu enteado foi no comércio, certa vez, e entrou em uma casa de sucos. Perguntou ao comerciante que suco tinha. Então o comerciante desatou a narrar todos os sucos da barraca. Meu enteado pediu suco de laranja, então o comerciante disse: “ ó paí ó, poupa pa porra e ele pede de laranja”.

Você passa por Salvador e pode observar vários carros com anúncio de vende-se. Um dia ví um Chevete velho, com um anúncio – INTERASSO! 5.000 MIL. TEM CONVERSA.

Toda palavra nova que encontro, insiro no dicionário, e temporada de verão com suas músicas de carnaval são um prato cheio! Apesar disso, palavras novas têm sido um desafio, está cada vez mais difícil de encontrar. Atribuo isso a uma junção de incompetência administrativa com a insensibilidade de um juiz federal que determinaram a demolição das barracas de praia. Esse fato é de uma falta de respeito sem igual. É um crime cultural! Destruíram um dos locais onde a cultura de manifestava.

Tem uma piada que eu adoro: Um baiano e um suíço que eram sócios de um empreendimento na Bahia... Certa vez o baiano estava deitado na rede, o suíço passou, viu e disse: “Voce sabia que preguiça é pecado?” então o baiano falou para ele: “E a inveja também”.

A Bahia me deu muito... meu futuro, meus filhos e o amor da minha vida!

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